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segunda-feira, 18 de julho de 2011

easy-going

As coisas mudam, isso aqui vai precisar mudar também. Mas não agora, porque não sei para onde quero levar este blog.

Só cheguei a uma conclusão: se a ideia era experimentalismo, o formato atual não atende. Não para mim, pelo menos. Porque a coisa acabou virando uma série de pequenos jobs, e pequenos jobs, do jeito que eu sou, vão sempre me levar para "resolver o problema" e não para experimentar coisas.

Enquanto a pausa prossegue, resolvi postar uns sketches antigões que achei fuçando caixas antigas. Coisas da época da exposição sobre o Fellini. Divirtam-se. Ou não, sei lá.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

E lá vem 2011

... e com ele uma nova tentativa de levar isso aqui a sério. ou não - quem sabe o problema seja esse: estar levando a sério demais! Enfim, aguardem. Nos próximos dias, material novo por aqui.

E que venha 2011.

domingo, 4 de janeiro de 2009

o post que ninguém vai ler


2008 foi --

foda-se. ninguém quer saber sobre 2008. aliás: eu quero. mas eu não conto, porque sou saudosista, anacrônico e masoquista, e portanto fico horas pensando sobre as coisas que foram, que aconteceram. e tenho uma sintomática pecha para o sentimentalismo, o piegas, o kitsch. mas de qualquer forma, eu precisei olhar para 2008 para entender algumas coisas importantes, incluindo aí este blog.

eu tenho uma relação dúbia com esse tipo de texto, porque se por um lado acho que escrevo um blog para compartilhar impressões, de alguma forma sempre me parece meio pretensioso ficar publicando opiniões, como se estivesse pregando. mas num segundo momento percebi que me preocupar com isso tem mais a ver com medo de não ser levado a sério e de me preocupar com o que os outros pensam do que realmente querer fazer algo "certo".

então, como um exercício de foda-se, acho que me devo escrever esse texto. nem que seja só para mim - já que, no fundo, por mais que sejam assim públicos, blogs me soam como coisas feitas para serem escritas, não lidas.

olhando para o início de 2007, havia uma intenção de criar um blog que me ajudasse a disciplinar a prática do desenho. foi para isso que eu ingenuamente comecei o projeto 52 - e digo ingenuamente porque qualquer um que desenha sabe que uma ilustração por semana não faz de ninguém um desenhista, a não ser que você tenha uma pegada "natural" muito boa.

a iniciativa acabou morrendo na praia na metade do ano. claro que minha primeira reação seria explicar isso com as desculpas de sempre: ano difícil, complicações profissionais, processo de mudança de casa, falta de tempo, bla bla bla. e tudo isso é verdade mesmo. essas coisas todas, juntas, criaram um cenário pouco favorável, que exigiu de mim rever prioridades (como conseguir dinheiro para pagar contas). mas nada disso justifica a falta de disciplina nem de empenho para levar adiante.

nonetheless, aconteceu, e ponto. não há o que ficar discutindo.

fim de 2007. ainda em meio a mudanças (muitas delas, na verdade, adaptações a um cenário que já vinha se firmando nos últimos meses) eu resolvi retomar o projeto, focando agora num sketchbook moleskine que ganhei de um amigo que voltava de uma viagem de L.A. comecei a carregar esse sketchbook por todo lado, fazendo pequenos desenhos sempre que tinha alguns minutos ou algo digno de registro. esse processo seguiu ao longo de todo o ano de 2008 (não sem alguns atrasos e acochambradas) e a uma semana do fim do ano tive o prazer de completar essa segunda temporada, com 52 trabalhos publicados no blog.

(se você chegou até aqui lendo esse post deve estar pensando "e eu com isso?"; mas se você chegou até aqui mesmo com o aviso no título do post, merece ou é tão masoquista quanto eu. então, pare de reclamar e continue lendo.)

ao longo desse tempo, percebi certas coisas, aprendi outras tantas e fiquei inexoravelmente condicionado a aceitar alguns fatos sobre mim mesmo. entre eles:
  • eu sou um ilustrador, não um desenhista. não sei qual é a definição semântica correta (e claro, poderia ter ido pesquisar isso na wikipedia antes de escrever, só que aí perderia o momento literário do texto :), mas para mim, ilustrador é um cara que mostra conceitos visualmente - ou seja, ilustra idéias. desenhista é um cara que sabe desenhar. "desenha um cavalo?" "desenho." "faz um prédio em chamas?" "faço." "e uma cobra que engoliu um elefante?" "larga o Pequeno Príncipe evai estudar desenho, moleque!". enfim, um cara que sabe usar traços para produzir coisas reconhecíveis, literais ou não. e eu não sou um desenhista - sou no máximo um copiador. o que não é ruim, afinal (uma das coisas que aprendi ao diminuir a ansiedade quanto aos resultados de meus trabalhos). desenhistas, para mim, são caras como os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá, ou o Will Eisner, o Angeli, o Laerte, o Dave McKean, o Mike Mignola, o Rafael Grampá. e foi tão bom descobrir isso, porque eu parei de me cobrar para sentar e desenhar 32 páginas em quadrinhos (embora a inveja por quem faz continue) e comecei a pensar em como eu poderia ser um melhor transpositor de coisas abstratas para formas e cores.
  • fazer um desenho por semana não fará de mim um desenhista. isso eu já sabia, mas quando comecei, parti daquela abordagem paleativa de que "antes isso que nenhum desenho por semana". mas qualquer pessoas que desenha profissionalmente sabe que ganho só vem com prática. e eu sou muito disperso - tenho mil áreas de interesse, infelizmente todas subestimadas por essa falta de foco.
  • trabalhar em espaços reduzidos impacta diretamente no resultado do trabalho. quando decidi registrar idéias de desenhos num molesquine pouco maior que uma carteira, não pensei que faria alguma diferença. ledo engano (desculpem o clichê). acostumado a trabalhar em folhas A4, depois dos primeiros desenhos percebi que eu tinha que rever minha abordagem de diagramação, material e até tema.
  • eu saí de uma proposta de desenho para uma proposta de design/ilustração. claro que o foco da segunda temporada já não era mais me dedicar a desenhos, mas na verdade essa mudança foi pavimentada no momento em que decidi explorar as idéias de um sketchbook, ao invés de desenhos temáticos, como no ano anterior. e isso só ficou mais e mais claro ao longo do ano - embora no meio do caminho eu tenha sim feito muitos desenhos.

descobri diversas outras coisas ao longo do ano, mas não vem ao caso colocá-las todas aqui (até porque nem me lembro de todas - ultimamente tenho tido altos bloqueios de escritor, e as idéias me fogem antes de eu chegar no computador). então sobra falar sobre a próxima temporada.

pensando nessa reflexão toda e vendo para que lado as coisa estavam caminhando, resolvi escolher um foco que me permitisse explorar ainda mais esse caminho do meio entre ilustração/design/layout/tipografia. a primeira escolha tinha sido criar estampas para camisetas, mas abortei a idéia porque isso exigiria mais de texto do que eu acho que gostaria nesse momento. pensei em algo mais aberto, e fiquei entre cartazes e cartões postais.

acabei ficando com a arte postal mesmo. primeiro porque são designs que abrem uma possibilidade prática de serem utilizados - eu posso efetivamente transformar isso em cartões postais, se desejar. e segundo porque me permitiria continuar aprimorando técnicas para desenvolver layouts em espaços reduzidos - na verdade, um cartão postal não é muito maior que as páginas de moleskine.

é, isso, então. eu gostaria de ter postado iso antes da virada do ano, mas não consegui por causa das correrias normais da época. mas isso pode ser um sinal, se você acredfita em sinais. talvez simbolize a necessidade de esperar os tempos das coisas, de ser menos afoito e ansioso, especialmente nessas datas tradicionalmente ansiosas. expectativas, aliás, que estão no topo da minha lista de resoluções para o novo ano.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

interlúdio 7


este foi um trabalho de ilustração que fiz para o jornal Moviola, publicado pelo IESB para cobrir o Festival de Cinema de Brasília. ela ilustrou uma matéria sobre Brasília ser vendida como opção para locações em filmes, dado seus cenários urbanos únicos. foi um trabalho muito prazeiroso; nem sempre temos oportunidade de fazer trabalhos profissionais que sejam divertidos e instigantes.

 

esta outra vinheta não chegou a ser usada, mas gostei bastante do resultado final, e por isso resolvi postá-la, também.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

interlúdio 5


o post dessa semana já está desenhado e escaneado, mas por motivos de força maior só deve ser postado no fim da semana, junto do próximo post. depois eu explico. até lá, paciência, e grato pela cooperação :)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

interlúdio 3: legados & vestígios

quando realizou sua oficina sobre diários gráficos aqui em Brasília, Renato Alarcão falou muito sobre o processo como forma de inspiração, especialmente no tocante ao desenvolvimento de um sketchbook próprio. voltar e páginas anteriores e realizar novas interferências serve tanto de exercício quanto de inspiração.


nas páginas em que desenhei à lápis eu costumava colocar uma folha em branco separando um desenho de outro, para não borrá-los. semana passada esqueci de fazer isso - e ainda por cima desenhei com uam pressão maior, marcando parte do desenho novo nas páginas antigas finalizadas.

o efeito foi interessante, revigorando os desenhos anteriores. resolvi postar aqui dois deles.

terça-feira, 1 de julho de 2008

interlúdio 2

não, este blog não padecerá da "maldição da 26ª semana". com efeito, fui atropelado por uma série de inesperados eventos, e entre semana final do IESB e um acúmulo súbito de trabalho precisei parar todo o resto.

semana que vem posto dois para compensar.

domingo, 1 de junho de 2008

interlúdio

manhã de sábado, fim de prova do detran (renovação de carteira, fique claro. não fiz nenhuma barbaridade. ao menos, nenhuma testemunhada :). após três semanas de ritmo alucinado, passando horas seguidas trabalhando para tirar o atraso nos freelas (devido à trágica semana sem computador em casa), olhei para a manhã ensolarada e ficou claro que eu não estava com a mínima vontade de voltar para dentro de quatro paredes.

resolvi então entrar no carro e dirigir à toa. acabei parando na praça em frente ao museu da república (a "estrela da morte"), que para meu azar estava fechado, aguardando troca de exposições. acabei fazendo algo que vivo recomendando aos outros e nem sempre tenho tempo de por em prática eu mesmo: me sentei no banco de concreto e aproveitei a manha.

isso mesmo. sol, vento, espaço - essas coisas todas super zen das quais às vezes fujo com perseverança.

e já que estava lá, resolvi rascunhar, fazer uns sketches livres, só pra observação. achei que saíram uma merda, mas fiquei feliz assim mesmo - mais pelo ato que pelo resultado. empolgado, ainda desci até a praça dos três poderes e fiquei lá, desenhando pombas e cabeças de jk. é duro admitir, mas sol e vento fazem menos mal do que gostaria de acreditar.

tente um dia desses. faz bem.